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    Qual o melhor momento para investir na Bolsa? Entenda os ciclos econômicos e a Bolsa de Valores!

    março 27, 2016

março 27, 2016

Qual o melhor momento para investir na Bolsa? Entenda os ciclos econômicos e a Bolsa de Valores!

“Se enxergá-lo é difícil, não ver ainda é pior”

Bruno Tolentino

 

A frase acima é de um dos maiores poetas brasileiros da nossa geração, Bruno Tolentino. Desde cedo, ele percebera que havia um abismo entre o que a poesia representava como a realidade e o que era a própria realidade.

Da mesma forma, poucos são os investidores que sabem distinguir entre aquilo que o mercado financeiro representa e a própria realidade.

Infelizmente, não é por menos que muitos consideram a questão como uma jogatina especulativa sofisticada e destinada aos ricos e ambiciosos.

Aqui você irá aprender exatamente o contrário. Preparado?

1. Um fato estranho sobre a Bolsa de Valores

Dia 16 de dezembro de 2015.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito do Brasil e perdemos o chamado grau de investimento (que nada mais é que uma nota que reflete o risco de um país dar calote).

Você já deve ter imaginado que nesse dia a Bolsa de Valores caiu e o dólar subiu.

Certo?

fitch undergrade

Errado.

Poucos sabem, mas o fato é que o Brasil começou a perder o grau de investimento lá em maio de 2008, quando o recebeu – e não agora.

E também já havia sido “rebaixado” desde o início de 2015 – muito antes de as agências de risco oficialmente fazerem o anúncio no final do ano passado.

Parece estranho? Sim, de fato é.

E se você se surpreendeu com essa constatação, é porque provavelmente ainda não entendeu claramente sobre o que acontece no mercado financeiro!

Mas eu vou explicar melhor.

E não apenas isso.

Após ler esse artigo até o final você vai aprender porque até hoje você não entende o mercado financeiro e como você pode e deve usar isso para saber quando e onde investir.

2. Qual a dinâmica essencial que você precisa entender

Veja o gráfico abaixo.

$BVSP $FAW

Ele é o Ibovespa (principal índice da Bolsa brasileira) indexado ao FTSE All Word (outro índice que mede o desempenho de empresas de 47 países).

Essa série, que tomei conhecimento por meio do colega Richard Rytenband, nos dá uma ótima oportunidade de visualizar o Brasil na conjuntura internacional nesses últimos anos.

Quando a linha azul sobe, significa que o Brasil está tendo um desempenho melhor que o resto do mundo – e o contrário também é verdadeiro.

O que vemos então é que desde 2003 até meados de 2010 o Brasil teve uma performance, em média, superior ao resto do mundo.

Éramos o “queridinho” do mercado financeiro mundial.

Contudo, com o fim do ciclo de alta das commodities (petróleo, minério, soja, etc) e as mudanças na política econômica, nosso mercado passou a performar abaixo do resto do mundo desde então.

Capas-da-The-Economist-1024x553

Capas da revista ‘The Economist’ : um país cujo brilho se perdeu na economia mundial ao longo dos últimos anos.

Ao que parece, apenas estamos no início de ruptura dessa tendência de baixa – porém iremos falar disso mais adiante (mantenha a calma!).

O fato é que o crédito farto e aumento excessivo dos gastos do governo culminariam na inflação e recessão que hoje vivemos.

Ao mesmo tempo…

Se olharmos para o CDS (Credit Default Swap) do Brasil vemos que há tempo ele também já vinha subindo.

(O CDS um nome bonito para nada mais que um ativo que funciona como uma “espécie de seguro” contra risco de calote do país: quando maior, maior o risco).

EMBI Brasil

Aliás, no final de 2015, ele já chegava a valores maiores que muitos países classificados como especulativos (os famosos junk bonds, ou “títulos lixo”).

Por exemplo, o CDS do Brasil estava em 542 pontos, acima da Argentina (465), da República Dominicana (430) ou até mesmo do Panamá (216).

Em tempo:

Quando do rebaixamento do Brasil pela Fitch no dia 16 de dezembro de 2015, a Bolsa caia …apenas 0,91% e o dólar em alta de 1,71%.

Nada demais, não é mesmo?

Exatamente.

Aqui é que está o ponto.

Diria que mais que isso. Aqui está a característica essencial do mercado financeiro:

O mercado trabalha em cima das perspectivas futuras e suas probabilidades, não se importando com aquilo que já está dado.

Porque o que já é um dado concreto, já está precificado – acredite!

O mercado trabalha em cima de expectativas e costuma antecipar o futuro.

Parece confuso?

Mas não é. É mais simples do que parece. Veja:

Isso acontece porque o valor dos ativos (sejam eles ações, títulos públicos, commodities) provém dos seus “fluxos de caixa futuros”, ou seja, o quão “rentável” os mesmos serão no futuro!

Se a perspectiva de rentabilidade futura dos mesmos é menor, tanto menor deve ser seu valor.

Simples assim! É por isso mesmo que existe aquele boato:

“Compre no boato e venda no fato”. Você já ouviu, não é mesmo?

E foi exatamente o que aconteceu no exemplo do rating do Brasil que mencionei há pouco.

s-p-cut-brazil-s-rating-to-bb

Sinal vermelho ao Brasil: a perda do grau de investimento foi tão grave quanto parece ou mostra o início de uma oportunidade?

Agora, talvez você esteja ainda um pouco confuso.

Afinal, se o que importa são as perspectivas futuras e o mercado costuma antecipar o futuro…

Por que a Bolsa de Valores passou a disparar agora com os eventos políticos recentes?

Um exemplo, caso você não se lembre:

Na quinta-feira (dia 03 de março de 2016) a Bolsa disparou 5,2% e as ações da Petrobras chegaram a 16,23% de alta depois do acordo de delação premiada de Delcídio do Amaral.

Em um único dia.

A maior alta da Bolsa desde 2009. Lembrou?

Ibovespa Alta Dolar Baixa

As manchetes do dia 03 de março de 2016 quando da delação de Delcídio do Amaral.

E para entender isso nós temos que entender uma segunda característica do mercado:

Não basta apenas você saber que os preços do mercado são formados em cima de expectativas futuras… Além disso, você precisa saber qual expectativa que está sendo precificada.

Como assim?

Veja:

Com a delação de Delcídio do Amaral naquele 03 de março e os potenciais desdobramentos políticos, abriram-se as portas para uma possível aceleração do processo de impeachment.

Isso era algo que ainda não estava totalmente precificado pelo mercado naquele momento (que achava que o impeachment não tivesse grandes chances de ocorrer).

A possibilidade mais concreta de uma troca de governo e mudança da política econômica atenuou o risco e ampliou a perspectiva de maior valor futuro dos ativos…

Com tudo que isso pode significar: queda da inflação, retomada dos investimentos, da confiança do consumidor e dos empresários.

why brazil needs change

Capa da revista The Economist, uma das mais consagradas do mundo sobre Economia, a respeito do Brasil: “Porque o Brasil precisa mudar”.

Enfim, o ponto a que quero chegar é o seguinte:

Com a bolsa já tendo atingido 37 mil pontos no início deste ano – menor patamar desde a crise de 2009 – o dólar a R$4 e o risco-país em 500 pontos…

Estávamos já com todo o pessimismo econômico precificado.

Como ensina o economista Nassim Taleb, é nesse ponto onde temos uma assimetria de retorno favorável – ou seja, o potencial de alta frente ao risco já embutido, é favorável.

De fato, os grandes mercados de alta nascem em maior a grande pessimismo.

Justamente por causa da assimetria de retorno e das expectativas.

Foi essa observação que publiquei em 27 de dezembro na minha fanpage do Facebook:

Post Investidor Inteligente

Então, resumindo o que você precisa entender:

A probabilidade de ganho aumenta quando estamos em um cenário onde o pior já está precificado (assimetria de retorno favorável).

E qualquer pequena ruptura de padrão é o gatilho favorável para acender a chama de grandes movimentos potenciais.

Isso também aconteceu com a Argentina recentemente após a mudança de governo.

Bolsa Argentina

3. E nós? Onde estamos e para onde vamos?

Do mesmo modo no Brasil, o povo está nas ruas.

Os últimos acontecimentos políticos cuja intensidade e impacto são inquestionáveis abriram uma forte ruptura de padrão.

Para você ter idéia do que isso significa em termos práticos, veja o gráfico abaixo:

Ciclos IBOV

Ele é o desempenho do Ibovespa em dólares nos últimos 50 anos. Vemos que desde a década de 60 tivemos 4 grandes ciclos de alta da bolsa (destaque em verde na imagem):

– De 1964 até 71 (7 anos)

– De 1983 até 1986 (3 anos)

– De 1991 até 97 (6 anos)

– De 2002 até 08 (6 anos)

Igualmente longos, os ciclos de baixa foram:

– De 1971 a 83 (12 anos)

– De 1986 a 91 (5 anos)

– De 1997 a 02 (5 anos)

– De 2008 até AGORA.

Observe que todos eles foram engatilhados por rupturas de padrão que nasceram após momento de grande transformação institucional (política ou econômica).

O maior movimento de alta (1991-97) foi desencadeado com o impeachment de Collor, resultando em uma valorização de 3.415% em 6 anos.

A última grande alta (2002-08) foi resultado da abundância de crédito no mundo e do ciclo de alta das commodities (petróleo, minério, milho, soja, etc) – além da “Carta aos Brasileiros” assinada por Lula.

Desde então, como vimos no começo do nosso texto, estamos passamos um longo período de baixa para a Bolsa brasileira.

A boa notícia (como vimos anteriormente) é que tudo indica que esse padrão está começando a ser quebrado:

IBOV-FTSE All Word

E não são apenas todos os escândalos, investigações e transformações políticas que fazem deste uma nova janela de oportunidade única desta década.

Existem ainda outros dois fatores relevantes:

Em primeiro lugar:

Já são alguns os indicadores que mostram que a pior fase da economia já pode ter ficado para trás, como ressaltou recentemente Stephen Kanitz, com alguns indicadores antecedentes da economia mostrando leve melhora:

É o caso do indicador antecedente de emprego (IAemp – FGV, +5,4% janeiro), da expectativa do consumidor (Inec – CNI, +2,4% janeiro)…

IAMP FGV

INEC FEV16

A se confirmar os desdobramentos políticos e econômicos, de fato podemos já ter feito o fundo…

Agora, lembre-se:

O que importa é que o mercado já antecipa as mudanças e não está mais olhando para o momento presente – e sim para o futuro.

E por isso você deve pensar à frente e sempre em relação ao que o mercado pensa.

Em geral os analistas são levados a trabalhar em cima do pessimismo vigente (status quo), até que a opinião predominante mude ante os fatos (e então boa parte do movimento já terá acontecido). É simples efeito manada.

Em segundo lugar:

Todos os mercados do mundo estão interligados entre si (o que no Brasil se tornou mais forte com a abertura econômica da década de 90).

Dito isso, não podemos negligenciar o movimento global que vêm ocorrendo com os mercados emergentes, as commodities e o dólar.

Se olharmos o gráfico abaixo vemos a série histórica do Wisdom Tree Dreyfus Emerging Currency Fund (fundo de moedas de países emergentes, como Brasil, México, Chile, Colômbia, África do Sul, Rússia, China, Índia, Turquia, entre outros).

Wisdom Tree Dreyfus ECF

Quando o gráfico cai quer dizer que as moedas desses países estão se desvalorizando em relação ao dólar. Quando sobe, que estão se valorizando.

Depois de 4 anos de uma tendência de desvalorização das moedas desse grupo de países, elas estão se valorizando e rompendo a tendência de baixa, conforme ressaltou também meu amigo Richard Rytenband recentemente em uma análise.

Isso se confirma se olharmos para o CRB Index (índice de desempenho das commodities bastante conhecido) e também para o petróleo (principal commodity do mundo), que estão revertendo sua tendência de baixa – onde a alta do ouro, já vêm se mostrando à frente desse processo.

Abaixo vemos o histórico do índice global de commodities CRB Index:

CRB Index

Nessa outra imagem vemos o desempenho do Ibovespa em dólares e do Petróleo Brent (é bastante evidente que tal comportamento ocorre devido ao peso que a Petrobras tem em nossa Bolsa):

BVSP vs BRENT

E, nessa outra imagem, o desempenho do ouro à vista no mercado global (CME):

GOLD

Isso significa que em um mundo com taxas de juro negativas, dólar se desvalorizando e commodities marcando um fundo, podemos estar presenciando o início de um movimento favorável ao Brasil e demais países emergentes.

Conforme Ludwig von Mises e Friedrich Hayek já destacavam, o estímulo ao consumo via excesso de crédito (que é obtido com impressão de moeda através da redução forçada das taxas de juros pelos bancos centrais), apenas propicia a criação dos ciclos econômicos.

Na fase de inflação (expansão da quantidade de moeda na economia) os ativos com lastro real na economia, principalmente o ouro, tenderão a se apreciar a fim de manter seu poder de compra – assim como outras commodities.

A grande maioria das economias desses países emergentes são ligadas às commodities, razão pela qual suas econômicas acabam ainda sendo muito cíclicas.

Como diria o saudoso economista Roberto Campos ainda na década de 70: “O fetiche do petróleo ainda está ai, a Petrossauro é robusta”!

Bem, agora você já deve até estar cansado de ver tantos gráficos.

(Mais uma vez, apenas abrindo um parênteses e lembrando você: longe de fazer uma previsão de futuro, apenas estamos analisando aqui as hipóteses futuras que parecem mais prováveis visto todos os dados e os contextos políticos e econômicos atuais).

Enfim, a esse ponto você já deve estar convencido de que:

  • Estamos diante de um momento histórico especial e muito relevante;
  • E que o mercado funciona em cima de expectativas (precificação), onde quebras de padrões abrem as maiores oportunidades.

4. Em termos práticos: o que isso significa para sua vida?

Se você acompanha meus conteúdos, já deve saber que sempre podemos encontrar boas oportunidades de investimento em ações pela simples ocorrência da distorção entre preço-valor (justamente por causa das expectativas) – como ensina o Value Investing.

Agora, se você souber aproveitar os ciclos econômicos e os movimentos estruturais do mercado, pode anotar:

Você realmente irá ter os melhores resultados possíveis.

Deixe-me dar um exemplo.

Considere o período entre julho de 1994 (Plano Real) a janeiro de 2015.

Se você só tivesse investido na Bolsa nesse período, teria um retorno acumulado de 1.210% (retorno acumulado do IBOV).

Por outro lado, quem só tivesse investido em renda-fixa nesse período teria um ganho acumulado de 3.487% (retorno acumulado do CDI).

Agora, se você tivesse conseguido identificar as mudanças de ciclo (investindo na renda-fixa nos períodos ruins e na Bolsa nos anos bons) você teria um retorno de 17.951%ou seja, 5x mais que só na renda-fixa e 15x mais que só na Bolsa, segundo estudo publicado pela Infomoney.

Impressionado?

Sim.

Agora você já sabe porque Baron Rothschild, famoso banqueiro do século 18 e cuja família veio a se consolidar como uma das mais ricas do mundo, ficou célebre pela frase:

“Compre quando houver sangue nas ruas”.

Não menos distante…

É esse também o princípio básico do sucesso de grandes investidores como Warren Buffett, pai do chamado Value Investing (Investimento em Valor em português), que diz:

“Você paga um preço muito alto no mercado de ações quando existe um consenso festivo sobre ele”

De fato, quando os preços estão baratos temos a chance de embolsar grandes lucros, porque ai é que temos a maior assimetria de retornos.

A essência disso está no fato de que:

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“Preço é o que você paga, valor é o que você leva” – Warren Buffett, gestor da famosa Berkshire Hathaway ( US$ 76 bi de patrimônio).

Se pagamos menos por algo do que ele realmente vale, temos menor chance de ter prejuízo e maior chance de ter lucro.

No atual momento muitas ações do Ibovespa estão nessas condições.

Não é à toa que se olharmos para diversas boas empresas da Bolsa de Valores, muitas delas estão sendo negociados a valores mínimos em relação à sua lucratividade.

O gráfico abaixo é um exemplo do índice P/L (preço da ação comparado ao lucro líquido) do Banco Itaú ao longo dos últimos 5 anos.

Itub PE Trailing 12M JAN16

Em janeiro de 2016, agora, as ações do Itaú estavam sendo precificadas no seu menor valor histórico, mesmo que o banco continue saudável e com lucro líquido crescente.

Esse é apenas UM exemplo das diversas oportunidades existentes.

O rali da Bolsa sequer começou.

Agora é a sua vez.

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Também aproveite e deixe aqui abaixo seu comentário sobre esse artigo!

Espero que tenha gosta. Um abraço e ao seu sucesso!

  • Lucas Andrade

    Hey! Testando os comentários… O que você achou do artigo? Foi bom? Deixe seu comentário aqui!

  • Valter Ribeiro

    Parabéns! Texto de fácil entendimento!

    • Lucas Andrade

      Olá Valter, obrigado pelo seu comentário.
      Fico feliz que tenha ajudado você a entender o cenário atual e a dinâmica do mercado!
      Abraço e sucesso!

  • Isaias Viana

    Caro Lucas, uma coisa me chamou atenção em seu artigo: é incomum entre os comentaristas de investimentos falar a real razão da recessão a qual estamos presenciando, que é a expansão monetária e creditícia. “O fato é que o crédito farto e aumento excessivo dos gastos do governo culminariam na inflação e recessão que hoje vivemos.”

    Gostaria de saber se você é algum seguidor da Escola Austríaca de economia, com os proeminentes Mises e Hayek, cujos seguidores previam desde 2011 que em 2015-2016 estaríamos na lama, enquanto os economistas desenvolvimentistas disseram que isso era pessimismo.

    Uma outra dúvida é sobre os gráficos. Em quase todos os gráficos há momentos em que parece que o gatilho da recuperação econômica havia sido pressionado e que ali era um ponto de inflexão da tendência de baixa desde 2009, no entanto os fatores continuaram em queda franca. Qual a diferença, então, entre esse possível ponto de inflexão de 2016 e os anteriores(pós 2009)? E como saber diferenciar entre um falso e um verdadeiro ponto de inflexão?

    Obrigado pelo artigo, foi muito bom.

    • Lucas Andrade

      Olá Isaias,

      Veja a minha resposta acima ao Isaías. Você precisa ter uma teoria “a priori” sobre a qual ler e interpretar o momento atual e julgar o ciclo. Geralmente durante a época de queda das taxas de juro estamos na fase de expansão creditícia. Quando o ritmo de queda dessas taxas começa a decrescer (ou ainda aumentar novamente), então é que o colapso começa a se tornar mais iminente. No caso do Brasil, em 2009 ainda estávamos longe de ter uma crise econômica interna grave, isto é, com sintomas de que o ciclo de expansão dava os sinais plenos de esgotamento – como inadimplência e inflação subindo -, até porque a crise foi combatida com maior crédito e subsídios. Na época também, lá em 2009, foi muito de um movimento de crise global na esteira do Subprime e Europa. Diferente de agora, onde inclusive a taxa de câmbio reflete o esgotamento do modelo de crescimento que era vigente (crédito farto, sem lastro em poupança, dependência do capital externo para financiar consumo brasileiro). Os gráficos apenas vão confirmar nossa interpretação.

      Sim, a Escola Austríaca de Economia é aquela que tem a maior capacidade de explicação dos ciclos econômicos, inclusive fazendo a ligação entre o fator temporal e o real – o que o mainstream na visão de agregados macroeconômicos apenas, não contempla e, por isso, na minha opinião, acaba por falhar nas previsões e análises. Ludwig von Mises e Hayek são as figuras mais importantes. Huerta de Soto tem um belo livro sobre ciclos econômicos e crédito bancário. No Mises Brasil tem bons artigos sobre os ciclos econômicos: http://www.mises.org.br/Subject.aspx?id=5

      Abraço e sucesso a você também.

  • Isaias Viana

    Pode me tirar uma dúvida? Em quase todos os gráficos há momentos em que parece que o gatilho da recuperação econômica havia disparado e que ali era um ponto de inflexão da tendência de baixa desde 2009, no entanto o índice continuou em queda. Qual a diferença, então, entre esse possível ponto de inflexão de 2016 e os anteriores(pós 2009)? E como saber diferenciar um ponto de inflexão falso de um verdadeiro. Obrigado, muito bom artigo.

    • Lucas Andrade

      Olá Isaias, obrigado pelo seu comentário.

      Veja, a questão central não é apenas a gráfica, embora através dela (e com a validação do exercício lógico dedutivo a partir das variáveis econômicas) possamos com maior probabilidade compreender as fases desses ciclos e estimar os próximos movimentos.

      Dessa forma, é preciso que você analise os dados econômicos do momento e consiga, através de uma base teórica estabelecida a priori, constituir uma história de fatos, causas e consequências – para então identificar se de fato já estaremos superando ou continuando ainda na fase do ciclo econômico.

      De certa forma, à pessoa totalmente leiga em Economia, essa pode não ser uma tarefa das mais simples. No caso de 2009, a queda ocorreu muito por conta da crise internacional subprime, e também a crise das contas públicas na Europa. O Brasil fez uma breve recuperação porque se firmou na época a tese da “marolinha” e que os países emergentes continuariam imunes a onda de crise, que continuara na época a solapar mais os países desenvolvidos. Contudo, o fato é que o Brasil continuou trilhando o caminho do aumento dos gastos públicos, na esteira da queda das taxas de juros (impressão de dinheiro), aumento do nível de preços (“inflação”), sem devido aumento da poupança, o que fez o país ter de continuar importando capital (recursos externos) pra fechar a conta corrente.

      Ademais, o resto do mundo com taxas de juro negativas (excesso de dinheiro impresso rodando o mercado financeiro), propiciaram um período de farto dinheiro e que mantiveram as taxas de câmbio dos países emergentes apreciadas, facilitando importação de equipamentos e entrada desses recursos (investimentos). Contudo, esse não é um modelo viável porque a inflação e inadimplência viriam – como ocorre agora – a surgir, refletindo um boom econômico lastrado em riqueza fictícia. Com a perspectiva de retomada das taxas de juros pelo Fed nos EUA e a desaceleração da China, bem como a inflação brasileira crescente, acabaram por jogar o país na recessão.

      Abraço!

  • Carlos Caiafa

    Belíssimo desenvolvimento do texto. Muito bom ! Parabéns ! Grande abraço. PS: Continue fazendo essas publicações.

    • Lucas Andrade

      Obrigado, Carlos. Fico feliz em saber que gostou do texto. Grande abraço!

  • William Dadalto Barone

    Parabéns pelo artigo. Excelente forma de explicação e muito relevante para os leigos no assunto. Muito obrigado pela contribuição.

    • Lucas Andrade

      “Approve”

      Lucas Andrade
      investidor-inteligente.com

      2016-04-18 17:53 GMT-03:00 Disqus :

    • Lucas Andrade

      Olá William, agradeço a você pela cordialidade em comentar e fico feliz em saber que estou ajudando. Conte comigo no que puder ajudá-lo e seja sempre bem-vindo! Grande abraço.

  • Maycon

    Muito bom Lucas, tenho acompanhando teu blog há pouco tempo, mas já tem realmente feito differenca na minha vida financeira. Vc acha que o processo de impedimento pode influenciar essa provavel situação de crescimento da Bolsa? Desde já obrigado

    • Lucas Andrade

      Obrigado pelo seu comentário Maycon.
      Sobre o impeachment: com certeza, ele marca uma ruptura de padrão e a depender do novo governo e sua política econômica podemos ver o mercado antecipando as melhorias na economia (ou o contrário).
      Abraço!

  • Fabio Paulo da Silva

    Parabéns pelo ótimo artigo, uma das melhores sínteses do mercado financeiro atual que li nos últimos meses!

    • Lucas Andrade

      Olá, Fabio. Obrigado pelo seu comentário, fico feliz em saber que apreciou o material!
      Um grande abraço!

  • Aguiar

    Excelente Lucas. Parabéns por compartilhar estas informações preciosas.

    • Lucas Andrade

      Obrigado, Aguiar.
      Que bom saber que você gostou desse conteúdo!
      Abraço.