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Bolsa de Valores Atinge Patamar Recorde? 5 Imagens que Mostram Porque a Alta Está Longe de Acabar

Após um longo ciclo de baixa, a Bolsa de Valores de São Paulo ultrapassou os 75 mil pontos, atingindo a maior cotação de sua história. Surpresa para muitas pessoas, afinal recém passamos por uma das maiores crises econômicas e políticas de todos os tempos.

Contudo, se você nos acompanha através da nossa página do facebook ou nossa lista de email, sabe que desde dezembro de 2015 alertamos para o fim do ciclo de baixa da Bolsa e início do movimento de alta, visto que todo o pior já estava precificado nas ações brasileiras.

O mercado financeiro antecipa o futuro. Embora o pior estive acontecendo, a partir daquele momento era certo para o futuro a volta da queda dos juros, acomodação da inflação e, em algum momento, retomada do crescimento econômico.

O processo de impeachment de Dilma e a diluição do risco-político acabaram por concretizar este movimento de recuperação, apesar das instabilidades em meio às investigações e delações.

Agora, uma vez que a Bolsa tenha alcançado os 75 mil pontos, a pergunta que fica é: “Ainda seria o momento de investir em ações?”

A resposta é sim! Neste breve artigo iremos listar 5 imagens que provam com fatos porque a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ainda está longe do final do seu ciclo de alta.

1) Valor de Mercado da Bovespa é praticamente igual ao da Apple sozinha

O valor de mercado de todas empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é de aproximadamente US$ 986 bilhões, ou seja, quase o mesmo valor de mercado Apple sozinha (valor de mercado de US$821 bilhões).

Valor de Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) compara à Apple

Ou seja, todas empresas brasileiras de capital aberto – muitas delas empresas internacionais como Ambev, Vale, BRF, entre outras – praticamente se igualam em valor de mercado ao de apenas uma empresa líder americana.

É claro que isso reflete em parte a política de juros zero mundo afora pelos bancos centrais dos EUA, Europa, Japão, que injetaram quantidades imensas de dinheiro no mercado financeiro e inflacionaram ativos de risco ao redor de todo globo. O Dow Jones, a Bolsa de Valores dos Estados Unidos, está em seu valor máximo há algum tempo já.

Assim, independente disso, o que vemos é que neste contexto dificilmente podemos entender o valor da Bovespa como uma bolha, especialmente considerando que diversas empresas cortaram custos e despesas na crise e, com a retomada econômica, seus lucros terão espaço para forte crescimento.

2) Apesar da alta, a Bolsa brasileira ainda está bem abaixo do resto do mundo

Em segundo lugar, mesmo com a recente recuperação da Bolsa de Valores observada neste ano de 2016, ainda estamos muito abaixo do desempenho de diversas outras Bolsas ao redor do mundo, especialmente se considerarmos o período de 2009 até hoje – que abrange o ciclo de baixa da Bolsa de Valores brasileira, que iniciou-se mais acentuadamente em 2011, coincidindo com o boom das commodities e obtenção do grau de investimento, conforme explico neste artigo sobre ciclos econômicos e a Bolsa de Valores.

Desempenho da Bovespa comparado a outras Bolsas de Valores desde 2009

Desde 2009, após o auge da Bolsa de 2008, a Bovespa ainda é um dos mercados com menor valorização no mundo.

Isso pode ser observado também ao analisarmos o Ibovespa (principal índice da Bolsa brasileira) indexado ao FTSE All Word (outro índice que mede o desempenho de empresas de 47 países).

Quando a linha azul sobe, significa que o Brasil está tendo um desempenho melhor que o resto do mundo – e o contrário também é verdadeiro.

O que vemos então é que desde 2003 até meados de 2010 o Brasil teve uma performance, em média, superior ao resto do mundo. Éramos o “queridinho” do mercado financeiro mundial.

Contudo, com o fim do ciclo de alta das commodities (petróleo, minério, soja, etc) e as mudanças na política econômica, nosso mercado passou a performar abaixo do resto do mundo desde então.

E, agora desde 2016, apenas começamos a nos recuperar em relação ao resto do mundo.

3) Em comparação aos lucros das companhias, a Bolsa ainda está “na média”

Se pegarmos os lucros gerados pelas empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo, veremos que o valor de todas é de aproximadamente 13,9x os lucros gerados por estas mesmas empresas, valor em linha com a média histórica dos últimos 10 anos.

                 A Bolsa de Valores de São Paulo negocia a 13,9x o Lucro Líquido de suas Empresas

Este indicador é tradicionalmente usado por analistas e chamado de índice preço-lucro (P/L) ou price to earnings em inglês (P/E). Por exemplo, em 2008, no ápice da Bolsa, este indicador chegou a quase 20x lucros. Já na crise subprime de 2009, chegou a aproximadamente 8x lucros. Ele dá uma idéia de quanto tempo demoraríamos para obter 100% do capital investido de volta na forma de lucros.

Se fizermos o mesmo exercício comparando agora o patrimônio líquido das companhias com seu valor de mercado, veremos que elas negociam na média a aproximadamente 1,7x o valor patrimonial. Este é o indicador preço-valor patrimonial (P/VP) ou price to book value (P/BV) em inglês.

           A Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) negocia a 13,9x o seu Patrimônio Líquido 

Vale notar que, com a retomada do crescimento econômico no Brasil, os lucros das empresas vão subir – assim como o valor patrimonial das mesmas – como já começou a acontecer no 2º trimestre de 2017. Em outras palavras, se os lucros voltam a crescer, a Bolsa volta a ficar mais barata – a razão P/L (Preço-Lucro) volta a cair – motivo pelo qual as cotações voltam a subir – para acompanhar o crescimento da lucratividade das empresas.

4) A economia está em recuperação e o lucro das empresas vai crescer mais ainda

Com o controle da inflação (que deve fechar abaixo de 3% neste ano) e a queda da taxas de juros (projeção de fechar a 7% ao final de 2017), o juro real voltou a cair para baixo de 5%, o que estimulará crescimento do crédito, consumo e produção novamente.

Essa perspectiva melhor para o futuro faz voltar também o capital estrangeiro, que só neste ano já teve entrada de 12 bilhões para a Bolsa de Valores.

                                          Evolução da Taxa de Juros Nominal e Real no Brasil

Sim, o Brasil provavelmente já iniciou seu novo ciclo de expansão, como evidenciou crescimento de 1% do PIB no 1º trimestre e 0,2% no 2º trimestre deste ano de 2017. As encomendas de papelão ondulado, um bom termômetro prévio da atividade econômica, também mostrou forte crescimento em julho e agosto.

Um estudo levantado pela nossa equipe do Investidor Inteligente mostrou a dinâmica inversa entre a taxa de juros real (crédito) e a valorização da Bolsa de Valores (ativo de risco). Podemos entender essa dinâmica através do custo de oportunidade: se os juros da renda-fixa estão menores, investir em ações que é renda variável torna-se mais atrativo novamente.

                                                                        Ibovespa e Taxa de Juros Real

Agora, é claro que o Brasil precisa colocar sua política no eixo novamente e aprovar as reformas fiscais como a da Previdência e Tributária, essenciais para equilíbrio fiscal e continuidade do crescimento econômico. As eleições de 2018 agregam um risco político ao país, porém já é claro que o risco de Lula voltar a ser eleito é praticamente nulo.

De qualquer forma, os fatores estruturais econômicos – como queda do juros real abaixo de 5% – já estão dados e sendo precificados pelo mercado financeiro.

5) Em valores reais a Bolsa ainda está bastante longe da sua máxima histórica

O valor da Bolsa em pontos de hoje não é o mesmo de 2008. Apesar da recente recuperação e superação do topo histórico ao ultrapassar os 74 mil pontos do Índice Bovespa, essa comparação em base nominal é ilusória.

Assim como uma garrafa de água que custava R$2 em 2008 hoje custa R$4, é ilusão comparar valores nominais da Bolsa no tempo. A inflação destrói o poder de compra moeda. Assim, esses 74 mil pontos de hoje, não são os mesmos lá de 2008, quando a Bolsa fez máxima na época.

                                                                  O Ibovespa ajustado pela cotação do dólar

Se considerarmos que o dólar é moeda de referência mundial e reflete a diferença de inflação entre Brasil e os EUA, e também o risco-país, ainda estamos longe da máxima da Bolsa visto em 2008. A valores de hoje, isto é,  desinflacionado, a máxima seria de 130 a 150 mil pontos – tudo mais constante na política, é claro.

Além disso, outro fator que temos de considerar, é que o Ibovespa – um índice composto pelas ações mais movimentadas da Bolsa – era bastante diferente em 2008 do que é hoje. Outras empresas passaram a ter maior participação na cesta de ações que compõem o chamado Ibovespa.

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