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Queiroz Galvão faz acordo, Biotoscana estreia na Bolsa, Triunfo, Paranapanema e Cemig

Mercado Internacional

As bolsas europeias fecharam o pregão desta sexta-feira em queda pressionadas pelo desempenho negativo das empresas exportadoras, e ainda por algumas notícias corporativas entre elas a da revista alemã Der Spiegel na qual revelou que há uma investigação na Alemanha sobre o esquema de um cartel entre algumas montadoras.

As bolsas dos EUA fecharam o pregão desta sexta-feira em leve queda com o Dow Jones registrando desvalorização de -0,15% aos 21.580 pontos, em meio a cautela dos investidores com uma série de resultados corporativos que serão divulgados ao longo dessa próxima semana e com as notícias políticas dos EUA, onde o governo Trump sofreu mais uma baixa desta vez o pedido de saída do secretário de imprensa e porta-voz do governo republicano Sean Spicer.

 As bolsas asiáticas encerraram a sessão desta segunda-feira sem direção única diante das preocupações com a tendência de fraqueza do dólar e à espera da reunião de política monetária do FED.

Na Europa, os principais índices acionários da região estavam operando em baixa nesta segunda-feira pressionados pelas pressões sobre ações de montadoras alemãs após a revista Der Spiegel publicar que comitê antitruste da União Européia estaria investigando potencial conluio entre empresas para combinar preços. Os índices europeus ainda eram pressionados pela divulgação de dados negativos sobre o PMI (índice de gerentes de compras) que caiu para 55,8 em julho de 56,3 em junho, atingindo assim o seu menor patamar em seis meses.

O petróleo do tipo Brent subia 1,37% na manhã desta segunda-feira com o barril sendo cotado a US$ 48,72 enquanto o minério de ferro negociado no porto de Qingdao registrou alta de 1,07% a US$ 67,86.

Ibovespa

A bolsa brasileira fechou o pregão desta sexta-feira em queda de -0,39% aos 64.684 pontos, afetada pela queda das bolsas internacionais, principalmente nos EUA diante da turbulência do governo de Donald Trump, e ainda com o anúncio de governo Temer de aumento de impostos e seus impactos sobre a economia e inflação.

Nesta segunda-feira, o Ibovespa deve abrir próximo da estabilidade, com investidores certamente adotando alguma cautela diante da fraqueza das bolsas internacionais.

Ações / Notícias:

Biotoscana (GBIO33) – A companhia teve suas ações precificadas em R$ 26,50, ficando na média da faixa indicativa, que era entre R$ 24,50 e R$ 28,50. Dessa forma, a empresa levantou R$ 1,34 bilhão com seu IPO (oferta inicial de ações). Suas ações começarão a ser negociadas na próxima terça-feira (25). Gostamos do case da Biotoscana, que é líder em especialidade farmacêutica na América Latina, estando exposta assim a um mercado com bastante potencial de crescimento ainda, sem contar também que em seu portfólio de produtos possui marcas confiáveis e bem estabelecidas, com algumas destas sendo líderes nos seus segmentos de atuação. Ao ser precificada em R$ 26,50, as ações da Biotoscana serão negociadas a P/L (Preço-Lucro) projetado para 2017 de 23,90x, ficando assim um pouco acima da Hypermarcas, que tem P/L projetado de 23,16x para o mesmo período. Nesse caso, achamos que ainda valerá o investimento em suas ações, pois a companhia estará sendo negociada somente um pouco acima da Hypermarcas, o que é justificável dado que i) a Biotoscana tem um risco menor do que a player brasileira por ter uma atuação mais diversificada tendo operações em diversos países da América Latina (mercado em alto crescimento), em fármacos de maior complexidade e valor agregado, além de maior crescimento de vendas e uma rentabilidade de suas operações bastante superior à Hypermarcas (ROIC de 36% x 12,7%). Entre os riscos do investment case de Biotoscana estão i) a perda de patentes como Sovaldi no Brasil (apesar da Biotoscana atuar no ramo de genéricos com a BGX) ii) ausência de histórico operacional e de governança corporativa, com a companhia sediada em Luxemburgo e não estando sujeita às leis do mercado brasileiro.

Paranapanema (PMAM3) – A companhia anunciou um acordo de investimento com a multinacional anglo-suíça Glencore, dentro do seu processo de reestruturação, com a empresa tentando retomar sua plena atividade operacional. Em tal acordo a companhia poderá emitir novas ações que serão subscritas pela Glencore, resultando em um investimento de R$ 66 milhões. Além disso, o acordo prevê que a Glencore indicará um membro para compor o conselho de administração da companhia, sujeito à aprovação dos acionistas da Paranapanema. Notícia levemente negativa no curto prazo, pois pelo preço atual que estão suas ações (R$ 1,49), a Paranapanema terá que emitir aproximadamente 44,3 milhões novas ações que serão subscritas pela Glencore, o que vai levar a diluição dos acionistas minoritários. Porém no longo prazo, o acordo pode favorecer bastante a Paranapanema devido ao know-how que a Glencore possui. Não gostamos do case da Paranapanema, já que a empresa tem um nível de endividamento bastante elevado (div br/patr.liq = 7,54x), além de ter também uma liquidez corrente em um nível bastante comprometedor (0,61) o que penaliza o giro dos seus negócios.

Triunfo (TPIS3) – A companhia fechou a negociação de uma divida de R$ 2,2 bilhões com 9 dos 17 credores financeiros que aderiram ao processo de reestruturação da companhia. O acordo foi firmado dentro da recuperação extrajudicial e com a assessoria da Alvarez & Marsal, consultoria internacional que é especializada em reestruturação. O plano prevê a reestruturação de dívidas já vencidas e a vencer da Concer, concessionária que administra o trecho entre Juiz de Fora (MG) e Rio de Janeiro, e também da holding, que havia dado garantias aos créditos da Concer. De acordo com Carlo Bottarelli, diretor-presidente da companhia, adotar a recuperação judicial, foi importante para simplificar e agilizar o processo, que durou cerca de 90 dias. A estimativa é que, além de reduzir o pesado endividamento, de R$ 3,8 bilhões, a concessionária ainda terá recurso extra para o caixa, podendo chegar a R$ 500 milhões. O pilar da reestruturação da dívida foi a venda do terminal portuário Portonave, em Santa Catarina, para a sócia Terminal Investment Limited. Tal negócio que fora fechado há 20 dias, vai liberar R$ 1,3 bilhão à Triunfo. ‘’ Depois que fechamos a venda da Portonave, a renegociação com os bancos foi acelerada ‘’ afirmou Bottarelli. Esse dinheiro também permite que a Triunfo se livre de uma dívida considerada ‘’ tóxica ‘’ pelo mercado: quita o crédito tomado com o fundo americano Farallon no final de 2016. Duas operações distintas foram organizadas. Uma concentra o grosso da dívida, não altera taxas e valores, porém adia o pagamento. Foi pensada para investidores de longo prazo. Nesse caso, houve o alongamento do débito. Para a holding, isso significa quatro anos de carência e outros quatro anos para quitar o pagamento. Há porém, uma segunda opção, que permitirá a saída de credores, desde que eles aceitem um deságio no valor que tem a receber. Nesse caso, o credor recebe sua parte por meio do chamado ‘’ leilão  holandês ‘’. Nesse tipo de pregão, os competidores apresentam propostas de descontos em envelopes fechados e vence o menor preço. Para essa modalidade será direcionado, um valor menor, em torno de R$ 100 milhões. Tal acordo porém, não é o fim de todos os impasses financeiros da companhia. Falta acertar a pendência com o BNDES, que não participou da reestruturação. O BNDES liberou financiamentos para a Concer, e para a Concebra, concessão de rodovia federal entre Brasília e o município de Betim (MG). Devido as dificuldades financeiras, o banco executou as garantias. O BNDES não é mero credor, já que tem participação na Triunfo e cadeira no conselho de administração o que causou pressão adicional a companhia. ‘’ Vamos continuar negociando com o BNDES, mas agora com novas condoções ‘’ afirmou Bottarelli. Notícia positiva, pois o acordo de reestruturação da dívida foi possível graças a venda por parte da companhia da Portonave, na qual a empresa conseguiu levantar R$ 1,3 bilhão, o que equalizou sua situação financeira, além de permitir que a empresa passe a focar nos ativos estratégicos. Com esse acordo a situação financeira da companhia fica ainda mais fortalecida, já que terá um prazo maior para pagar as suas dívidas, o que leva a queda no valor das amortizações.

 

Queiroz Galvão  Exploração e Produção (QGEP3) – A companhia assinou um aditivo contratual com a Teekay Offshore Partners, afretadora da plataforma que será instalada no Campo de Atlanta, na Bacia de Santos, que permitiu uma redução de custos e confirmou o início da produção para o primeiro trimestre de 2018. Em comunicado, a QGEP informa que o aditivo permitiu a redução dos custos operacionais dos primeiros 18 meses de produção em 15 por cento, para 410 mil dólares. ‘’ Após os primeiros 18 meses de produção, a taxa diária original entrará em vigor, acrescida de uma taxa variável, a qual é em grande parte atrelada à variação do preço do petróleo, para o restante do contrato ‘’ afirmou a QGEP. Notícia positiva, pois com a redução dos custos operacionais nos primeiros 18 meses, a companhia conseguirá ter um melhor resultado operacional no curto prazo e consequentemente irá melhorar o seu nível de lucratividade. Temos recomendação de … assine para ler nosso relatório de análise da QGEP3.

 

Cemig (CMIG3) – De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, a Cemig tem feito esforços relevantes nos últimos dias para tranqüilizar credores quanto ao andamento da venda de seus ativos e também da sua captação externa, de US$ 1,5 bilhão, em meio aos vencimentos de R$ 3,3 bilhões em dívidas entre este mês e novembro na Cemig Geração e Transmissão (GT), mais da metade dos R$ 5,9 bilhões de 2017. Os compromissos de julho serão honrados com caixa, os de agosto estão sendo renegociados e, a partir de outubro, a companhia terá que contar com a emissão de bônus, afirma a coluna. Para mostrar solidez à captação externa, uma das informações que circulam é a de que a estatal mineira teria atraído três investidores relevantes dispostos a adquirir os papéis a uma remuneração de 9%. Dentre eles, estaria o fundo hedge Third Point. Notícia negativa, pois a Cemig precisa andar mais rápido com seu processo de venda de ativos para poder ter condições de honrar com aquelas dívidas que vencem no curto prazo. Atualmente a Cemig tem uma situação financeira bastante desconfortável, já que tem uma elevada dívida com uma parcela relevante vencendo no curto prazo, além de correr o risco de perder algumas das suas usinas que podem ser tomadas pelo poder concedente em virtude da MP 579 transformada em lei na qual a companhia não aderiu na sua totalidade. Dessa forma, não recomendamos o investimento nas ações da companhia. Nossa preferência no setor é pelas ações da … assine para ler nossas recomendações no setor elétrico.

 

Prumo (PRML3) – A companhia e a PAI (Porto de Antwerp International) formam parceria para consultoria e investimento. A PAI prestará serviços de consultoria ao Porto de Açú por um período de 10 anos, com enfoque no desenvolvimento comercial e operacional do projeto, de acordo com comunicado da Prumo. O Porto de Açú pagará à PAI, em 10 anos, o valor estimado de US$ 7,8 milhões. O montante deve ser aumentado para US$ 16,4 milhões em caso de implementação do investimento opcional pela PAI. A PAI deverá subscrever ainda novas ações emitidas pelo Porto de Açú no montante de US$ 10 milhões, representativas de 1,176% do seu capital social. A PAI ainda terá a opção de subscrição, a ser exercida dentro do prazo de 18 meses contados da assinatura do contrato de investimento, de ações adicionais no valor de US$ 10 milhões, representando 1,176% de participação no capital social do Porto de Açu. Notícia positiva para a Prumo, pois  com esta parceria, a companhia conseguiu um parceiro estratégico para alavancar seus negócios, cujas operações ainda estão em estágio inicial, tendo a companhia atingido EBITDA pro forma consolidado de R$ 56 milhões no 1T17.

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